Hoje a América acordou terRiver

Ontem pude acompanhar mais uma final da Libertadores, que por mais um ano consecutivo não contou com a presença de nenhum brasileiro disputando o título diretamente. Em campo, duas gratas surpresas. De um lado, o River Plate, time argentino de tradição, que em sua história recente amargou uma queda à segunda divisão do Campeonato Argentino. Do outro, o Tigres, mexicano que foi a sensação do campeonato, mas que por pertencer a CONCACAF, liga que abrange times da América do Norte, se porventura viesse a levar a taça, não poderia ir ao Japão jogar para ser o dono do mundo. Seria esse azar que o fez ter uma atuação apagada na noite de ontem? O que poderia lhe consagrar como o primeiro time mexicano a conquistar uma América diferente da sua.

Mas a sorte estava mesmo do lado do time vermelho e branco. Com a pior campanha da fase de grupos da competição, sofreu um boicote desleal no clássico argentino contra o Boca Juniors, em que seus jogadores foram atingidos por gás de pimenta por um dos tantos fanáticos da torcida adversária, este mais ousado. Já parecia sorte de campeão.

Encontrei um River inspirado, talvez por carregar em seu primeiro nome o Club Atletico, que nos últimos 2 anos tem tido uma maré de sorte em cada uma das suas letras. Mesmo com um jogo muito truncado, com muitas faltas de cada lado e uma surpreendente catimba do time visitante, o River, que mesmo não jogando um bom futebol, conseguiu explorar bem o meio campo adversário, uma vez que o Tigres não possuía um marcador/armador para segurar os atacantes platinos.

O primeiro tento veio com um contra-ataque rápido pela lateral esquerda, com direito a uma bela caneta de Vangioni, para Lucas Alario abrir o placar e, quem diria, ele vestia a camisa 13, seria coincidência ou não? O placar aumentou logo depois que o atacante Sanchez foi derrubado infantilmente na área. O próprio jogador fez uma cobrança perfeita, sem chances de defesa para o goleiro Gusman.

O terceiro gol veio de um escanteio, em que Funes Mori cabeceou para as redes, com direito a frango do arqueiro adversário, anulando completamente todas as chances do titulo inédito para o Tigres e sacramentando o tri do River Plate, depois de 19 anos de jejum. Assim, a Argentina aumenta a vantagem de títulos na Libertadores em relação ao Brasil, contando com 24 títulos, contra 17 do lado brasileiro, mostrando assim a força do futebol portenho.

Lucas Alario abriu o placar para o time portenho, garantindo o tri (Foto:  Juan Ignacio Roncoroni / EFE)

Lucas Alario abriu o placar para o time portenho, garantindo o tri (Foto: Juan Ignacio Roncoroni / EFE)

 


Nara Scarpelli é estudante de Jornalismo e escolheu o futebol e o Clube Atlético Mineiro como suas eternas paixões. Neste espaço falará das suas percepções esportivas e como lhe fascina a habilidade humana dentro dessa área.