Coletivos de BH operam com “ocupação dentro da média de capacidade”, segundo BHTrans

Na prática, passageiros encontram ônibus lotados e têm que se apertar para não esperar mais tempo nos pontos

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Dezenas de passageiros se espremem de forma desconfortável nos ônibus da capital – Foto: André Correia

Tema de constantes discussões, a mobilidade urbana nas metrópoles é um desafio para as autoridades e um problema para os moradores destes grandes centros. Apesar das promessas de melhoria para a Copa do Mundo, realizada no ano passado, que deveriam servir de legado para a população, muitos problemas ainda ocorrem no dia a dia dos usuários de ônibus de Belo Horizonte. Atrasos nos ônibus e veículos superlotados, que passam direto pelos pontos, são dois exemplos enfrentados diariamente pela população da capital mineira.

Linhas que passam em importantes vias, como a Avenida Raja Gabaglia, a Rua São Paulo e Avenida Amazonas, têm diversas reclamações deste tipo. Nos pontos, a linha 4110 (Belvedere/Dom Cabral) é uma das mais comentadas. A linha atende usuários que voltam da Faculdade Milton Campos e do BHShopping e que estão indo em direção à PUC Minas Coração Eucarístico, passando pela Avenida Álvares Cabral e pelo Shopping Cidade. Porém, o intervalo de 10 a 14 minutos informado pela BHTrans para as faixa de horário entre 18 e 19 horas não é suficiente para atender ao grande número de passageiros nos pontos.

Usuários se antecipam na hora de dar o sinal, por receio de ser ignorados pelos motoristas - Foto: André Correia

Usuários se antecipam na hora de dar o sinal, por receio de serem ignorados pelos motoristas – Foto: André Correia

A jornalista Cristina Costa, moradora do bairro Padre Eustáquio, usa a linha 4110 todos os dias para ir e voltar do trabalho e já conhece todas as reclamações. “A linha deixa a desejar porque, geralmente, atrasa muito. Nem sempre eu consigo pegar o ônibus no mesmo horário, às vezes atrasa 15 minutos, e isso faz diferença para quem tem um compromisso”. Ela destaca ainda que o retorno para casa é a pior parte, pois no horário da noite os coletivos passam lotados, fazendo com que os usuários tenham que esperar ainda mais no ponto. “Já cheguei a ficar uma hora no ponto para conseguir entrar e muitas vezes não tem lugar pra sentar, ai é aquele desconforto”, aponta.

A estudante Melina Capilla utiliza a linha 8101 (Santa Cruz/Alto Santa Lúcia) para ir da Rua São Paulo até a Estação SENAI do MOVE e conta que os ônibus estão sempre cheios. “O 8101 passa entupido de tanta gente”. Esta é a mesma reclamação de Lana Naves, estudante de Jornalismo e moradora da região da Pampulha, que pega o ônibus 5201 (Dona Clara/Buritis) todos os dias no fim da tarde, no ponto em frente à Assembleia Legislativa, e sofre com a superlotação. “Qualquer horário o 5201 está lotado. Às vezes passam dois ou três ônibus seguidos, mas todas as vezes ele está lotado”.

A estudante acredita que os ônibus ficam muito cheios porque a linha 5201 integra o sistema do MOVE, fazendo com que várias pessoas a utilizem para ir até o corredor da Avenida Antônio Carlos. “Eu pego ele para chegar até a estação e depois pego outro para chegar até a minha casa, pois ele não para próximo. Se eu tivesse outra opção, com certeza eu trocaria de linha”, afirma.

Segundo a BHTrans, as linhas informadas operam “com ocupação dentro da média de capacidade dos veículos”. No caso da linha 5201, a empresa informa que a mesma “passa por estudos para uma melhor adequação entre oferta de viagens e demanda de usuários para as demais faixas horárias do dia e em ambos os sentidos”.

Além dessas reclamações apontadas pelos usuários, as estações do MOVE também apresentam mal funcionamento na abertura das portas automáticas, o que, muitas vezes, leva os passageiros a adiar a descida na estação. “Já tive que descer em outra estação porque a porta não abria”, conta Lana. Melina também já presenciou as portas que não abrem. “As pessoas tem que ficar apertando o botão vermelho e o motorista fica abrindo e fechando a porta pra ver se a porta da estação desconfia e abre”, completa.

As duas estudantes alertam sobre o perigo nas estações, no período noturno. “Algumas estações são mais vazias que as outras, e acabam sendo mais perigosas”, lembra Lana. “Tem assalto acontecendo até mesmo durante o dia, tem que ficar atento”, recomenda Melina.

Em nota, a BHTrans esclarece que “um novo sistema de acionamento das portas pelo próprio motorista está sendo implantado, permitindo que as portas sejam abertas quando o veículo chega. As quatro estações municipais da Área Central e grande parte das estações da Avenida Antônio Carlos já funcionam com a nova tecnologia, mais moderna. Gradativamente, a tecnologia está sendo implantada em todas as estações do MOVE municipal. Além disso, os botões de acionamento de emergência, que estavam sendo utilizados indevidamente, agora ficarão acionados apenas enquanto pressionados”.

Questionada sobre os problemas de atrasos das linhas, superlotação e motoristas que passam pelo ponto sem parar, chamado pela BHTrans de ‘omissão de viagem’, o órgão respondeu que “acompanha o desempenho do transporte coletivo da cidade por meio do Sistema de bilhetagem e do Sistema de programação de viagens”. Sobre a omissão de viagem, a autarquia afirma que “nesse caso, assim que a empresa verificar a ocorrência, a concessionária pode ser multada”.

Cristina destaca a importância da população na busca dos direitos e melhorias dos serviços públicos e a necessidade de informar a BHTrans, por meio de seus canais de atendimento, para que as providências sejam tomadas, em caso de problemas com as linhas. “A população tem um peso muito grande, se cada um fizesse sua parte e tomasse alguma atitude já faria diferença. É preciso reclamar nas mídias, no jornal, além de fazer a reclamação junto ao órgão responsável”.

O serviço está disponível através dos telefones da BHTrans e da Transfácil. Os números são 156 ou 0800-283-7045. Também é possível fazer sugestões, críticas ou elogios na seção Fale Conosco, disponível no site www.bhtrans.pbh.gov.br, e na seção Ouvidoria, no endereço www.transfacil.com.br.

SITBus

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Painel informa que ônibus da linha 4113 estava se aproximando, enquanto um outro da linha 4110 estava chegando ao ponto – Foto: André Correia

O que deveria servir de informação acaba frustrando os usuários de alguns pontos de ônibus da capital. Promessa em 2011, os painéis do SITBus – Sistema Inteligente de Transporte Coletivo – instalados em diversos pontos de embarque e desembarque, apresentam falhas de funcionamento, informações incorretas ou estão desligados. O painel instalado no ponto da Avenida Álvares Cabral, próximo ao número 1119, ficou sem funcionar por mais de um mês, voltando a operar na quarta-feira (1). Nestes casos, a tela, que normalmente exibe o número das linhas no lado esquerdo, e o tempo estimado de chegada do veículo, no lado direito, passa a exibir a mensagem “Sem conectividade com o servidor” ou um código do servidor, como se a conexão tivesse ocorrendo sem sucesso.

Cristina Costa sente falta quando os painéis não estão funcionando. “Já acostumei a acompanhar o painel. Ele facilita demais, nos ajuda a programar, se tiver informando que o ônibus vai passar em 20 ou 30 minutos posso ir numa farmácia, ou até mesmo trocar de ponto e procurar uma opção mais rápida”, observa.

Em seu projeto, está prevista a instalação de 1500 painéis eletrônicos – 900 em pontos de toda a capital e outros 600 que foram adicionados à lista na época do lançamento do MOVE – porém, até o momento, apenas 650 estão em funcionamento, o que representa cerca de 7% do total de pontos da capital. Cristina lembra que a maioria dos painéis está na região Centro-Sul e nas proximidades. “No Padre Eustáquio ainda não tem [os painéis instalados], se tivesse ajudaria muita gente a se programar e escolher a melhor linha”.

As empresas tem um contrato de 15 anos para concluir a instalação e não tem previsão para o restante dos painéis, pois, segundo a BHTrans, novos abrigos serão substituídos, gerando um custo de reinstalação, além de criação do corredor da Amazonas, que também vai demandar outras unidades do aparelho, que funciona em conjunto com a central de dados da empresa, que organiza os dados dos aparelhos de GPS instalados nos coletivos.

Ainda em nota, a instituição informa que “a manutenção dos painéis do SITBus é de responsabilidade do TRANSFÁCIL, de acordo com o Contrato de Concessão. Cabe à BHTRANS, a fiscalização de todos os elementos constituintes do SITBus, o que já é feito rotineiramente”. Segundo a empresa, uma vistoria especial a todos os PED’s da região já foi agendada e, em caso de constatação dos defeitos, a empresa aciona o Transfácil para sua correção.