Pixels deixa a desejar, mas ainda vale a pena em um mundo cheio de Minions e dinossauros

Um dos posters promocionais do longa Pixels, que estreou nessa quinta (23) - Foto: Divulgação/Sony Pictures

Um dos posters promocionais do longa Pixels, que estreou nessa quinta (23) – Foto: Divulgação/Sony Pictures

Quem acompanha o mundo do cinema e conhece um pouco de videogame sabe que a proposta de Pixels, que estreou nessa quinta-feira (23), é boa e sua execução – desde o roteiro, passando pelos atores e chegando na pós-produção – poderia render um filmaço. Mas não é bem assim, e um dos grandes culpados é o próprio ator principal, Adam Sandler. A comédia de ficção científica é um prato cheio para os fãs mais nostálgicos dos clássicos dos Fliperamas dos anos 80. Farei agora uma breve análise com o mínimo de spoilers possível.

A história começa em 1982, no auge dos videogames arcade. O governo decide gravar um campeonato mundial de videogames e enviar para o espaço em uma cápsula, junto de diversas outras imagens que caracterizassem o planeta. Essa fase conta com uma boa atuação dos adolescentes que fazem os papéis de Sam Brenner, Willian Cooper e Ludlow Lamonsoff. Estas imagens caem nas mãos de uma nação alienígena pouco explicada – terminamos o filme sem saber muitos detalhes desta nação – que entende os ataques de dentro dos jogos como uma declaração de guerra. A partir daí, com muita tecnologia, os alienígenas chegam a Terra para atacar e destruir em fases, assim como nos jogos e os nerds do passado são a salvação da humanidade em 2015, através da prática com os games.

Bons gráficos

Falar de gráficos é um assunto tanto dos games quanto dos filmes, e em Pixels os dois significam a mesma coisa. A qualidade dos efeitos visuais do longa é impressionante, com blocos que brilham para todo lado, explosões e dezenas de personagens voadores e animados misturados com os humanos e com a cidade. As cidades, aliás, porque o filme segue a máxima de quase toda ficção e filme de destruição, que tem que passear pelo mundo todo. O Taj Mahal e a cidade de Londres são alguns dos pontos visitados, além da cidade de Nova York, onde passa a maior parte da trama. Claro que o exagero existe e não tem como fugir dele, mas na ficção tudo (ou quase tudo) é permitido.

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Pac-Man vira vilão em “Pixels” – Foto: Divulgação/Sony Pictures

Trilha sonora e nostalgia

A trilha sonora do filme também não deixa a desejar, fazendo referência à década e encaixando bem com as cenas que carregam um pouco de humor (até porque é uma comédia) e apoiando o ar de nostalgia que é inevitável no filme. O próprio roteiro usa o fato dos hábitos terem mudado, já que agora não é preciso sair de casa para jogar entre os amigos, como acontecia nas casas de Fliperama.

Homenagem aos clássicos

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Sam Brenner (Adam Sandler) e Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) enfrentam centopeias alienigenas – Foto: Divulgação/Sony Pictures

Grandes clássicos dos anos 80 fizeram parte de Pixels. Gálaga, Breakout, Centípede, Pac-Man e Donkey Kong são alguns dos jogos que tiveram releituras dentro da produção. Podemos ver uma batalha entre Sam (Adam Sandler) e Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) contra centopeias alienígenas gigantes feitas de energia inteligente, um Pac-Man no papel de vilão, destruindo Nova York, além de uma “fase Chefão” com os personagens principais lutando contra um Donkey Kong e barris de pixels. Atari, Namco e Nintendo foram bem representadas. Até mesmo um Smurf aparece de gaiato em uma cena.

O fator Adam Sandler

Entrei no cinema sabendo que poderia sair decepcionado e para a minha sorte, o filme não é tão ruim. O fato de Adam Sandler ser sempre o mesmo cara que se apaixona por uma mocinha e faz algo de importante na trama já deu e não tem graça mais. O filme tem algumas boas piadas bem encaixas, mas também tem outras piadas péssimas, que beiram o desnecessário. Podemos dizer que Pixels consegue ser bom apesar de ter Sandler no elenco. Arrisco também a dizer que Sandler vai ser beneficiar mais do sucesso do filme do que o próprio filme se beneficiar pela presença dele.

Coronel van Patten (Michelle Monaghan), Sam Brenner (Adam Sandler), Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) e Eddie Plant (Peter Dinklage), em cena do longa - Foto: Divulgação/Sony Pictures

Coronel van Patten (Michelle Monaghan), Sam Brenner (Adam Sandler), Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) e Eddie Plant (Peter Dinklage), em cena do longa – Foto: Divulgação/Sony Pictures

Conclusão

O filme prometia muito mais, até pela ideia e grande produção da Sony, baseada no curta de animação dirigido pelo francês Jean Patrick e lançado em 2010, mas ainda assim vale a pena assistir, principalmente se você já estiver cansado de ouvir falar em Minions, está fugindo de Carrosel – O Filme, e não quiser ver Jurassic Park ou O Exterminador do Futuro.

Apesar da baixa classificação indicativa (10 anos), o filme é mais para adultos do que para as crianças. Claro que não podemos subestimar as crianças de hoje em dia, mas grande parte da graça da produção está em entender o mundo de 30 anos atrás e como o filme retrata essa invasão dos games. Mesmo não sendo tão velho como os adultos retratados, consegui me identificar e rir de muita coisa que crianças de 10 anos não conhecem e não vão achar graça.

Se estiver na dúvida, vá assistir “Meu Passado Me Condena 2“, que você vai tanto quanto em Pixels, se não rir mais. Sem falar que é nacional e tem o Fábio Porchat, que também tem seu estilo mas tem a ficha menos queimada do que o Adam Sandler. Para não dizer que influenciei ninguém para o bem ou para o mal, assista ao trailer de Pixels. (Já vou avisando que na prática tem bem menos ação do que parece nesses minutinhos).


André Correia é co-fundador do Lavanderia, está a frente deste blog e escreve algumas das matérias e notícias apresentadas aqui. Paralelamente, se arrisca comentando os assuntos que gosta, como música, televisão e fotografia, além de crônicas sobre o cotidiano da profissão.