crônica

Faça valer o tempo

Faça valer o tempoQuando paro e penso que o dia tem 24 horas, sinto-me frustrada. 24 não é um número tão pequeno, porém ele não é suficiente diante de tantas tarefas diárias. Nele não cabe a quantidade de atividades e obrigações que tenho a fazer. Confesso que, por várias vezes, pensei que o problema da falta de tempo era resultado da má administração do meu próprio tempo. Mas como assim? Eu sempre tento me organizar e continuo não conseguindo fazer tudo que preciso e quero fazer.

O dia passa e esperamos ter tempo a noite para fazer o que quer que seja. A noite chega e passa por mim. O cansaço do dia é o causador, o culpado da alteração dos meus planos. Esperamos, então, o final de semana para ter aquele tempinho e novamente vem a decepção: o tempo foi escasso para a realização dos meus diversos planos. Então é melhor esperar as férias para ter a oportunidade de fazer tudo que não conseguimos realizar durante o ano. E novamente não funciona. Doce ilusão…

Além de o tempo ser curto para tantos afazeres, perdemos tanto tempo, não é mesmo? Perdemos tempo no trânsito e nas filas, o que, infelizmente, foge do nosso controle. Perdemos tempo falando mal dos outros, cuidando da vida dos outros, vivendo a vida dos outros. Perdemos tempo dando importância ao que os outros acham da nossa vida. Perdemos tempo quando não damos um sorriso, quando não desejamos um bom dia, uma boa tarde, uma boa noite! Perdemos tempo quando não dizemos por favor, obrigado, eu te amo. Perdemos tempo quando, desacreditados de Deus e de seus milagres, desistimos dos nossos sonhos. Perdemos tempo quando multiplicamos os nossos problemas e não enxergamos o lado bom das coisas, de tudo.

O tempo é tão precioso quanto o ouro. E diante da falta dele, precisamos valorizar as poucas horas do dia que restam. Mas fazer o quê, Mariana? Como fazer? A resposta eu não sei. Estou tentando encontrá-la há algum tempo. Enquanto isso, decidi não perder mais tempo. Decidi não perder mais a vida. Sábias palavras de um poeta, do qual eu não me lembro do nome (culpa da correria dos dias que afeta minha memória), me ensinaram que a vida é ‘colorível’. Logo, escolhi que a minha vida será multicolorida, porque a minha vida é somente minha, eu sou dona dela e faço dela e com ela o que eu quiser, o que eu bem entender. E a sua? Qual a cor tem ou qual a cor você dará a sua vida? Mesmo com a falta de tempo, ainda há possibilidades de colori-la, de lhe dar sabor, cheiro e inúmeras sensacionais sensações.

Você já parou para pensar na sua vida, para ouvir o seu coração? Você já separou uma parte do seu tempo para refletir sobre o leque de opções que temos, nas inúmeras escolhas que podemos fazer? Colora, rabisque, pinte da maneira que quiser. Escolha os temperos ideais para tornar a sua vida digna de ser vivida!

Faça valer a pena! Faça valer o tempo!


Mariana Elisa é formada em Letras, está concluindo o curso de Jornalismo e publica no Lavanderia algumas de suas crônicas e outros textos.

O Sabor da Noite de Domingo

Sabor da Noite de DomingoJá era tarde da noite de domingo e o vento estava frio. Maria encontrou com seu noivo João. Os dois não se viam há dias e, além da saudade, os dois tinham muito que conversar. Como todas as noites de domingo, o casal foi na mesma lanchonete para pedir o mesmo sanduíche. O pedido foi feito e os dois saíram para fumar um cigarro na calçada enquanto os sanduíches ficavam prontos. Na porta da lanchonete, o casal foi abordado por um morador de rua. Maria se assustou. O rapaz, que aparentava ter uns 30 anos, disse que era escritor e pediu para ler um poema. Maria e João estavam ansiosos para conversar, contar as novidades e matar a saudade. Automaticamente, os dois responderam ao rapaz que naquele momento eles não queriam ouvir, pois precisavam conversar. Foram para um canto e o papo começou.

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Até o Chapolin Colorado se foi

Até o Chapolin Colorado se foiO ano de 2015 será difícil para os brasileiros, o que não é novidade. A conturbada disputa eleitoral em 2014 para a presidência da República e o atual momento econômico de instabilidade abriram alguns precedentes de incertezas sobre o futuro do Brasil. Desde a escolha da nova equipe econômica, o governo tem feito ajustes na tentativa de conter o consumo e segurar a alta da inflação. Como se já não bastasse, as temperaturas do verão estão quentes como há muito tempo não se via. A chuva escassa não consegue abastecer os reservatórios de água, tornando a situação do país ainda mais crítica. E agora? Quem poderá nos defender? Até o Chapolin Colorado se foi…

Algumas pessoas já passaram por algumas crises, outras estão passando pela primeira vez e outras sentirão o reflexo sem nada entender. Resultado de má gestão, falta de investimentos, corrupção, bandidagem e, para completar, São Pedro nos colocou de castigo. Porque será que tudo isso está acontecendo com a gente?

As dúvidas são muitas e as respostas são escassas como a água. Como o nosso país deve caminhar neste ano que começa? Quais são os remédios para enfrentar o pessimismo do ano que está iniciando? Quais as maneiras de se reinventar em meio ao caos? Como cada indivíduo pode contribuir para que os problemas sejam amenizados? Não existe receita de bolo com soluções para enfrentar a crise financeira e climática que estamos passando. Podemos, cada um, fazer a nossa parte, economizando água e energia. Você já está fazendo a sua parte? Vamos começar antes que seja tarde? Ou será que já está tarde? Não! Vamos seguir com otimismo e rezando para São Pedro abrir as torneiras do céu.


Mariana Elisa é formada em Letras, está concluindo o curso de Jornalismo e publicará no Lavanderia algumas de suas crônicas e outros textos.