Com notáveis avanços, Vingadores: A Era de Ultron faz bonito, mas ainda deixa a desejar

Foto: Reprodução/Marvel Studios

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É inegável que a fórmula apresentada pela Marvel em seu universo cinematográfico foi um dos grandes acertos dos últimos tempos. As coisas deram tão certo, que a ideia de apresentar filmes solos de personagens e depois uni-los em uma grande produção se tornou modelo para muitos, a começar para DC/Warner, a grande concorrente. Em Vingadores: A Era de Ultron, o segundo filme do grupo de heróis, aquela mesma receita apresentada em 2012, com a primeira reunião, se repete, mostrando alguns avanços, mas ainda deixando um gosto de “poderia ter sido mais”.

Desde o lançamento de Homem de Ferro, em meados de 2008, ficou bastante claro qual seria a linha seguida pelos filmes de super-heróis da Marvel. Nada muito sombrio, ou adulto demais, mas sim produções repletas de ação e humor, equilibrados de forma eficaz, coerente e funcional. No geral, podemos dizer que isso deu certo e continua dando. Os filmes que vieram logo em seguida repetiram esta fórmula, que ajudou a consagrar o Universo Cinematográfico da Marvel, principalmente após o lançamento de Os Vingadores, em 2012. Para os fãs, tudo que havia sido apresentado até ali era motivo de festa e, obviamente, eles não estavam errados.

Mas não é nada disso que quero falar e sim sobre a tão aguardada sequência dos Vingadores, lançada na última quinta-feira, 24 de abril, nos cinemas brasileiros. Vingadores: A Era de Ultron apresenta tudo isso que já foi falado aqui, mas mostra, desde sua primeira cena, uma forte evolução e amadurecimento em comparação com as outras produções do estúdio. Na trama, após recuperarem o cetro de Loki, o grupo formado pelo Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Víuva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) se deparam com uma nova força: uma inteligência artificial que acaba se libertando após as tentativas de Tony Stark (Downey Jr.) em transformá-la no soldado perfeito.

Marvel's Avengers: Age of Ultron

Foto: Reprodução/Marvel Studios

Ultron, dublado pelo excelente James Spader, logo se mostra um dos maiores e mais perigosos vilões enfrentados pelos Vingadores. Porém, é na construção deste personagem que o filme peca: Joss Whedon simplesmente destrói, aos poucos, a personalidade forte do vilão é deixada de lado à medida que ele vai ganhando cada vez mais “físico”. Outra grande falha, notada desde o primeiro filme é a falta de originalidade nas cenas de ação. No geral, A Era de Ultron apresenta cenas muito bem elaboradas, construídas e produzidas, mas nenhuma delas apresenta um elemento novo, que não tenha sido visto antes. O sentimento que passa é que são apenas cenas construídas para impressionar, mas esquecem que elas podem apresentar vertentes diferentes, que fujam da “pancadaria desenfreada”.

Mas, nem de longe estes erros fazem do filme ruim. Há acertos que se tornaram grandes e dois em específico evidenciaram uma necessidade que já vem sendo comentada por fãs há muito tempo: filmes solos para a Viúva Negra e Gavião Arqueiro. Após serem apresentados de forma rasa no primeiro longa dos Vingadores, os dois personagens ganham aqui a chance de terem, de certa forma, suas histórias contadas. Embora nada tenha sido explicado claramente, principalmente no que diz respeito ao passado da Viúva, algumas informações importantes sobre a trajetória de cada um deles são contadas. O que já é muito, frente ao que tínhamos antes (nada).

Foto: Reprodução/Marvel Studios

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O ator britânico Paul Bettany é quem dá vida a um dos personagens mais aguardados pelos fãs: o Visão. Criado quase que da mesma forma que Ultron, o novo “herói” se torna uma importante ajuda na batalha final. Assim como os gêmeos Wanda (Elizabeth Olsen) e Pietro Maximoff (Aaron Taylor-Johnson), ou como são mais conhecidos: Feiticeira Escarlate e Mercúrio. E não vamos falar muito deles, porque a intenção aqui não é dar spoilers. Mas só digo que são três grandes acertos que fazem o filme valer muito a pena.

Ao fim do filme, o sentimento que Vingadores: A Era de Ultron passa é de que poderia ser mais. É uma grande produção, com mais acertos do que erros e que mostrou uma evolução enorme desde a primeira parte. É inevitável dizer isso e Joss Whedon merece todos os méritos por conseguir unir fortes personagens em uma história coerente, não só com o que foi apresentado no filme em questão, mas sim com todo o universo da Marvel.


Gabriel Lomasso é aspirante a jornalista e apaixonado por cinema e TV. No Lavanderia, vai comentar sobre entretenimento. Escreve também no PopXpresso.